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HISTÓRIA DO JUDÔ NO BRASIL.

    O Judô é uma arte marcial que possui origem relacionada a religiosidade e cultura japonesa, difundiu-se pelo mundo divulgando costumes e o modo de vida nipônico. Chegou ao Brasil e tornou-se a modalidade esportiva que hoje, segundo Lucírio et al., 1997, possui o maior número de praticantes no país, ou seja 2 milhões de praticantes. Tornou-se esporte olímpico em 1964 em Tóquio (Lancellotti, 1996), como modalidade de demonstração e em 1972 foi incluído como modalidade. A criação do judô é atribuída a Jigoro Kano, nascido em 28 de outubro de 1860, em Mikage, distrito de Hyogo, filho de Jirosaku Maresiba Kano (Kodokan, 1955), sendo de baixa estatura, medindo 1,50 metro e pesando apenas 50 quilos. Entretanto, "compensava seu pequeno porte com tenacidade, coragem e sobretudo grande inteligência" (Virgílio, 1986). Iniciou o treinamento de Jiu-Jitsu com dezessete anos com o mestre Fukuda da Escola Coração do Salgueiro, treinou também com mestre Iso, e Iikugo. Buscou conhecimento em outras escolas que permitiram formar o conjunto de técnicas, regras e princípios que vieram a constituir o Judô (Virgílio,1986). Kano foi um cidadão ímpar no Império japonês, acumulando diversas funções e Honrarias, sendo "Professor Universitário, vice presidente e reitor do Colégio de Nobres, adido do ministro da Casa Imperial, conselheiro do Ministro da Educação Nacional, diretor da Escola Normal Superior e ainda secretário da Educação Nacional, galgou os degraus da Escala Imperial Japonesa, chegando ao segundo grau após sua morte" (Virgílio, 1986). Em 1922, passou a dedicar-se exclusivamente ao Judô, sendo professor Honorário da Escola Normal Superior de Tókio e Conselheiro do Gabinete Japonês de Educação Física. Seu nome foi perpetuado como educador e esportista que foi, sendo considerado o "Pai da Educação Física do Japão" (Virgílio, 1986). No final da década de 1870 e início de 1880, Jigoro Kano inicia um estudo sistemático das artes marciais, já com a iniciativa de montar sua própria escola o Kodokan (Kodokan, 1955). Notava o empirismo das escolas e dos métodos da época, estas estando muito mais preocupadas com seus segredos e em ignorar os valores de outras, que propriamente progredir na busca da perfeição técnica e moral. A rivalidade entre escolas foi tão grande que uma procurou destruir outra a qualquer meio. Kano preocupou-se com a falta de ética e moral do Jiu-Jitsu e também a inexistência de princípios pedagógicos e científicos e ainda mais os perigos que essas técnicas representavam. Assim retirou-se com alguns alunos para o templo budista de Eishosi onde estudou e analisou as técnicas mais evidenciadas na época, separando o que havia de bom, criando novas quando necessário e surgindo então, um novo método para fusão de técnicas do antigo Jiu-Jitsu e dos princípios pedagógicos, morais e éticos (Kodokan, 1955). Kano criou a Kodokan, instituto que existe até os dias de hoje, em fevereiro de 1882, e seus primeiros e principais alunos foram Tsunegiro Tomita, Yoshiaki Yamashita, Shiro Saigo, Sakugiro Yokoyama.( Kodokan,1955). Nesta fase o Judô se consolida no Japão (Virgílio, 1986). Segundo Suzuki (1986), a divulgação do Judô para o mundo dava-se pelo próprio Kano, que era por meio de explanações, demonstrações práticas à elite ocidental que residia ou visitava o Japão; segundo Virgílio (1986), em 1889 a 1891, ele percorreu a Europa, realizando conferências e demonstrações, e em 1902 e 1905, esteve na China. Conforme Soares (1977), determina quem serão alguns dos divulgadores do Judô no mundo, além do sensei Kano. Segundo seus dados temos que Gunji Koisumi introduziu o Judô na Grã-Bretanha, Ishiguro e Kawaishi na França, Bélgica, Espanha e Países Baixos. Também existem dados que coexistiam nos Estados Unidos, cerca de 30 dojos onde lecionavam professores japoneses, sendo que um instrutor de nome Yamashita, teve por aluno o presidente Theodor Roosevelt, ainda conforme Soares (1977),. Segundo as Mil lutas de Conde Koma, citado na História Seriada (s.d.) seus alunos Mitsuyo Maeda (o próprio Conde Koma), Tomita, Satake, Ono e Ito começam em 1906 a difundir o Judô nas Américas, inicialmente nos EUA, passando depois pela América Central, até que Maeda transferiu-se para o Brasil. Kano sempre preocupou-se com a difusão da sua arte e com o esporte, sendo que ele morre aos 77 anos em 04 de maio de 1938, voltado do Cairo onde estava participando da Assembléia Geral do Comitê Internacional dos Jogos Olímpicos (Virgílio, 1986). Com o surgimento das federações, em vários países realizaram os primeiros campeonatos, consequentemente em 1948, surge a União Européia e em !949, a União Asiática, (Soares, 1977). O primeiro campeonato Europeu ocorre no ano de 1951 em Paris, neste evento fundava-se a Federação Internacional de Judô, que teve como 1º presidente Risei Kano, filho do fundador (Soares, 1977). Este autor também relata a fundação da União Pan-Americana, fundada em 1952, por ocasião de seu 1º campeonato, em Tókio, no ano de 1956, elegendo Natsui como grande campeão, dando ao Japão o titulo máximo. Outro fato que convém relatar é o surgimento da União Africana de Judô em 1963 (Soares, 1977). Trabalhos elaborados sobre a Historia do Judô dentro do Brasil são muito raros, sendo poucas publicações específicas. Alguns relatos são mencionados na introdução de livros técnicos ou trabalhos gerais (Virgílio,1986 ; Manual de Educação Física, 1979; Soares, 1977; MEC, s.d.; Garcia, 1995; Amorim, 1997). Nestes trabalhos relacionam o pioneirismo de Mitsuyo Maeda na demonstração, divulgação e introdução do Judô no Brasil. Já Hunger (1995), cita que o "Judô chegou no Brasil em 1908, 26 anos depois da fundação da Kodokan", além de relatar a escassez da bibliografia sobre o assunto, relatando apenas em 1922, surge no país o nome de Maeda. Calleja (1979), relata a importância da imigração japonesa para introdução do Judô no país, e diz "tal fato ocorreu de forma desordenada e sem nenhum planejamento. Lamentavelmente, não houve uma missão oficial, com o intuito de divulgar, segundo os princípios da Kodokan", o que seria realmente o novo método do ju-jitsu. Esse relato demostra a dificuldade de determinar as formas de introdução e divulgação do início do Judô para o país. Apoio para esta idéia advém do professor Massao Shinorrara (9º Dan) em Virgílio (1996), que afirma que o judô foi implantado no Brasil por volta do ano 1908 ou pouco mais, com o advento da "imigração japonesa, cujo primeiro contingente chegou ao porto de Santos em 18 de junho de 1908, a bordo do navio Kasato Maru, com referências ao Judô, entretanto não há registros de nomes, datas e locais". Coloca-se portanto que o Judô nesta primeira instância veio para o país de forma agregada a cultura do imigrante japonês, que eram principalmente agricultores. Conde Koma O personagem que mais possui crédito para ser considerado o precursor do judô no Brasil é o Conde Koma, cujo nome seria Mitsuyo Maeda (Hunger, 1995), ou como alguns autores citam, Eisei Maeda (Calleja, 1979), apesar de ter aparecido anos após a entrada dos primeiros imigrantes japoneses, Maeda vem como divulgador do Judô e Jiu-jitsu. Segundo a Biografia de Maeda na História Seriada (s.d.), Maeda veio para a América, primeiramente nos Estados Unidos como enviado especial da Kodokan para divulgar o Judô, coloca-se ainda que vieram junto com ele quatro personagens importantes, Tomita, Sakate, Ono e Ito, percorrendo desde os Estados Unidos, América Central até a América do Sul. Vieram para divulgar a "arte do Kodokan" por demonstração e em combates de desafios ("Vale Tudo"). Foto 1-Conde Koma, imobiliza adversário em combate em Manaus, Déc. 10 (Revista IPPON). Existe uma controvérsia sobre a chegada de Maeda no país, alguns autores adotam datas diferentes para a sua chegada, como Calleja (1979) que cita final da década de 20 e início da de 30, Virgílio, (1986), início da década de 20, Soares (1977), determina 22, junto com Hunger et al. (1995), entre outros autores, recentemente, porém, em artigo na revista Judô, Rildo Eros, relata a chegada do Conde Koma, através da cópia do passaporte de Maeda cedido por Gotta Tsutsumi (Presidente da Associação Paramazônica Nipako de Belém, revela que sua chegada ao Brasil teria sido em Porto Alegre no dia 14 de novembro de 1914 teria ganho o apelido de Conde Koma devido a sua elegância e semblante sempre triste. no Brasil ele teria percorrido o caminho de Porto Alegre onde teria se exibido pela primeira vez, seguindo depois para o Rio de Janeiro, São Paulo , Salvador, Recife, São Luiz, Belém (outubro de 1915) e finalmente em Manaus, no dia 18 de dezembro do mesmo ano. "A primeira apresentação do Grupo Japonês em Manaus, intermediado pelo empresário Otávio Pires Júnior, foi em 20 de dezembro de 1915, no teatro Politeama", sendo apresentadas técnicas de torções, defesas de agarrões, chaves de articulações, demonstração de armas japonesas e desafio ao público. Hunger et. al. (1995), coloca que Maeda teria também oferecida seus serviços para "a Academia Militar e o Exército, os quais incorporaram a prática do Judô no treinamento dos Militares". Virgílio em 1986, afirma que Maeda haveria criado uma escola em Belém do Pará, onde teve relativo sucesso, sendo que falecera nesta cidade em 1941. Virgílio também coloca que dos vários alunos que frequentaram sua academia, restou apenas a família Grace para dar continuidade ao seu trabalho, tendo progredido e fundado novas escolas em algumas capitais e projetando no cenário esportivo Brasileiro. 2.2.3. Imigração Japonesa. Vários autores também concordam com o surgimento da prática do judô devido a imigração japonesa desde o ano de 1908 (Soares, 1977; Virgílio, 1986; Calleja,1979;Hunger et al., 1995), pelo caminho já mencionado pelo professor Massao Shinorrara (ver item 2.2.1.), mantendo segundo estes autores uma difícil chance de divulgação ao público em geral pela prática ser mantida apenas em suas colônias. Por esses fatores, apenas aparecem as citações sobre a presença deste fato, porém com pequenas referências e conhecimento de como eram essa prática e seus principais personagens. Contribuindo para as contradições existentes, há um relato em Virgílio (1996), que refere-se a um professor Miúra , que haveria ensinado o Judô em 1903. 2.2.4. Participações complementares para o desenvolvimento do Judô nacional. Outros personagens também apresentam-se como importantes perante a iniciação da consolidação do judô nacional, entre eles Soares (1977) destaca, que a maior difusão se deu em São Paulo e Rio de Janeiro, por onde passam ou surgem grandes praticantes. O autor destaca a importância da presença do professor Kotani no país em 1939. Ainda Soares (1977) considera que Takeo Yano, Yassuiti Ono, Teronozuke Ono, Noburo Ogino, Ogawa, Omar Cairuz como os precursores do Judô e determina também que "a denominação Judô aparece pela primeira vez com a Academia Cordeiro". Existem referencias de um Japonês de nome Takaji Saigo, podendo ser ligado a Kodokan. Este abriu uma academia em São Paulo. Outro personagem é Geo Onori, que em 1929, demostrava o Judô em circos e aceitava desafios (Hunger et al., 1995). Já Virgílio, 1986, apresenta o nome de Tatsuo Otoshi que chega ao Brasil em 1929, seguido de Katsutoshi Naito, Sobei Tani, Ryuzo Ogawa e outros como referência a grupos que se formaram como conseqüência da chegada do Kasato Maru. Também distingue-se a presença de Yasuichi Ono, que chega em 1928, que devido a sua dedicação pelo Judô, "fez juz a que seu nome fosse inscrito com todo mérito na História do nosso esporte" (Virgílio, 1986), Ono abre sua "academia-mãe" em 1932. Virgílio (1986) também define o trabalho de Ryuzo Ogawa, que chega ao Brasil em 1934, como sendo um idealista que objetiva um trabalho iniciado em 1938 para organizar e difundir o Judô com grande amplitude e ideais mais elevados. Ele procura separar o Judô definitivamente do Jiu-jitsu, projetando o esporte na preferência dos brasileiros. "Esse trabalho foi a conquista final para a confirmação do Judô no Brasil" (Virgílio, 1986). 2.2.5. Evolução de prática corporal para modalidade esportiva. O Judô como prática corporal oriental, torna-se durante as últimas décadas em modalidade esportiva, surgindo a federação de âmbito internacional, estabelecendo as regras e padronizando as técnicas (Hunger t al., 1995). No Brasil, antes da fundação das federações específicas, o Judô, que era associado ao Jiu-jitsu, sofria diversas interpretações e a Federação Brasileira de Pugilismo, que controlava os "esportes de ringue" define as regras dos encontros das lutas no Brasil em 1936 (MEC, s.d.). Calleja (1979), aborda o surgimento de uma entidade não oficial no período de 1933 até 1942, denominada Federação de Judô e Kendô, que "tenha divulgado e preconizado o verdadeiro Judô Kodokan" (Calleja, 1979), mas existe a necessidade que se criassem entidades oficiais de acordo com a legislação vigente, fato esse que culmina com a fundação, em 1958 da primeira "federação especializada em Judô: a Federação Paulista de Judô" (Calleja, 1979). 2.2.5.1. Fundação das Federações e da Confederação Brasileira de Judô: a institucionalização como modelo esportivo. Calleja (1979), coloca como um dos principais fundadores da Federação Paulista de Judô e presidente durante 10 anos consecutivos o Dr. José Lúcio Moreira da Franca. E que após o pioneirismo de São Paulo, outros Estados pouco tempo depois fundaram suas Federações: Minas Gerais e Paraná. A Confederação Brasileira de Judô órgão máximo do país, segundo Sugizaki (s.d.), fora "fundada em 1969, sendo reconhecida somente a partir de 1972", contando com 23 federações estaduais. Segundo ainda Sugizaki (s.d.), a Federação Paulista conta atualmente com mais de 300 clubes e associações desportivas filiadas. 2.2.5.2 Primeiras competições no Brasil. Soares (1977), aponta a primeira competição da Budokan, em São Paulo, em 1948. Já o primeiro campeonato Brasileiro, realiza-se entre 14 e 16 de outubro de 1954, evento este sediado pelo Tijuca Tênis Clube do Rio de Janeiro, contando com a participação dos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e o então Distrito Federal, lembrando que, foi realizado antes da fundação da Confederação Brasileira de Judô, portanto este evento estava "sob os auspícios da Confederação Brasileira de Pugilismo" (Soares, 1977). 2.2.5.3. Atletas Olímpicos que foram destaque para o Judô Brasileiro. A História do Judô nos Jogos Olímpicos começa em Tókio, 1964 (Lancellotti,1996a), sendo apenas como demonstração, apenas retornando como modalidade oficial dos Jogos em Munique, 1972. A participação Brasileira está presente, segundo Lancellotti (1996a), desde Tókio, obtendo destaque para Lhofei Shiozawa, obtendo 5ª colocação entre os médios (na época de 68 kg até 80 kg). Em Munique, o Brasil conquista a primeira de suas muitas medalhas no Judô com Chiaki Ishii bronze no meio pesado (80 a 93 kg) além de obter o 7º lugar entre os absolutos. Em Los Angeles, 1984, três atletas conquistam medalhas para o Brasil, o peso leve Luís Omura (63 a 71 kg) e o peso médio Walter Carmona (78 a 86 kg) conquistam as medalhas de bronze e o meio pesado Douglas Vieira (86 a 95 kg) foi medalha de prata. Em Seul, 1988 surge a primeira medalha de ouro para o Judô brasileiro, com o meio pesado Aurélio Miguel. Em Barcelona, 1992, o meio leve Rogério Sampaio Cardoso conquista o ouro na competição. Em Atlanta, 1996, segundo Lancellotti (1996b), dois atletas conquistam a medalha de bronze, são eles, o meio leve Henrique Guimarães e novamente o meio pesado Aurélio Miguel, outro destaque brasileiro nessa olimpíada é Edinanci da Silva que foi a primeira mulher classificada em 7º lugar em uma olimpíada. 2.2.6. Da academia à Academia: o Judô como tema de pesquisas na Universidade O Judô faz parte do currículo de muitas Universidades Brasileiras, e hoje verificamos que dentro delas, apesar de poucas, já encontram-se pesquisas desenvolvidas tendo a modalidade como tema. Pode-se citar algumas como exemplo, Borges, 1989 (dissertação de Mestrado), as monografias Viana (1980) Cavazani (1991), Amorim, (1993), Drigo (1994), 2.3. Recuperando a História do Judô por seus pioneiros. Segundo Hunger et al. (1995), a história oral permite complementar a historia documental e bibliográfica, e sugere que existem "fatos do desenvolvimento do Judô em nosso país ainda não relatados e arquivados" (Hunger et al., 1995). Segundo Thompson (1993), a importância da História oral é que ela devolve a História das pessoas em suas próprias palavras, dando-lhes um passado e assim, auxiliando para o futuro. 3. OBJETIVOS O presente trabalho tem como objetivo estudar elementos Históricos do Judô brasileiro, além de comparar, registrar e organizar a Historia Oral dos senseis Uadi Mubarac (8º grau, 50 anos de prática) do interior de São Paulo e Luiz Tambucci ( 9º grau, 66 anos de prática) da capital paulista, ambos professores de grande expressividade na política judoísta de São Paulo e inseridos no contexto Histórico do estado por fazerem parte da edificação e solidificação do Judô.

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